14/09/2016

Professor Alberto #2

- Aquilo são macacos?! - Gritou Giovani. Paulo colocou o corpo ensanguentado de Zambé no chão. Nayara disparou a correr. 
  - Eu disse para não se mexer! - O professor Alberto mantinha-se imóvel, apesar do grito. Um dos macacos retirou uma flecha da cintura e armou no arco. 
  - Ele vai acertar Nayara! - Giovani saltou pelo corpo de Zambé e começou a revirar o porta luvas do jipe. Paulo encarava a todos esperando por uma ordem. Nayara gritava enquanto corria para o longe. Houve um estampido audível e a flecha inferiu os ares. Alberto acompanhou o percurso com os olhos. Fêmur de Nayara. 
  - Morram seus filhos da puta! - o disparo ensurdeceu os presentes. Giovani preparava o revólver para o próximo tiro. Professor Alberto apanhou a câmera presa ao pescoço e começou a fotografar. Os macacos moveram-se rapidamente pelos galhos.
  - Faça alguma coisa além de ficar filmando, professor! - Rugiu Paulo. O velho nada fez senão continuar filmando. Nayara jazia ao chão, clamando de dor e agonia. 
  - Morram! - Foram mais três tiros. Os macacos não foram atingidos, mas o barulho os assustou. O grupo estava novamente sozinho e o medo tomava conta de todos ali. 
  - Isto foi incrível! - Albeto checava as fotos na câmera - consegui fotografar as criaturas!
  - Socorro! Socorro! - Paulo e Giovani foram até Nayara. Havia muito sangue e a flecha estava fincada dez centímetros para dentro. Ela gritava de dor. 
  - Vou ter que arrancar! - Paulo rasgou um pedaço da camiseta de Giovani. Nayara implorava por socorro. Ambos suavam frio - Segure os braços dela!
  - Certo! - Giovani o fez. Nayara se debatia pedindo para que não fizessem isso. e questão de segundos, a flecha estava no chão e o ferimento da garota estava enfaixado com fragmentos da camisa do amigo.
  - Está tudo bem, querida? - O professor se aproximou. Giovani apontou o revolver para ele. 
  - Seu filho da puta, por que não fez nada?! 
  - Eu fiz! - Ele manteve o to impassível - registrei o fato. 
  - Nayara foi ferida! 
  - Mas não morreu. Como você acha que iríamos contar pra polícia?! Macacos com flechas?! Alguém precisava registar isto, Giovani! 
  - Mas... - Ele tentou falar, mas a ideia do professor o convenceu. Aquilo deveria ser documentado para servir de prova, afinal, Zambé estava morto. 
  - Nós precisamos sair daqui imediatamente - Paulo ajudou Nayara a se levantar. Ela tinha dificuldade para se manter em pé. O Professor assentiu e o grupo voltou para o jipe. Os insetos faziam barulhos desconhecidos e alguns pássaros enfeitavam a atmosfera de incerteza. 
  - Coloquem Zambé na parte de trás. Usem a lona para enrolar o corpo. Nayara, sente-se aqui - o professor estendeu a mão a garota. Ela agarrou firme e sentou no banco de trás, enquanto Paulo e Giovani enrolavam o corpo de Zambé como foi pedido. 
  - Acho que eles se assustaram com o barulho. Talvez a buzina do jipe nos ajude... - comentou o professor - Paulo, você dirige. 
  - Certo - ele terminou de repousar o corpo de Zambé e assumiu o banco do motorista. 
  - Que Deus nos proteja!
(...)
  

08/09/2016

Capitão Máximo #2

  O Capitão Máximo estava sentado no capô de seu V.S.A, registrando seu Diário de Missão em seu Database de Pulso. Carol alinhava o canhão de Distorção corretamente. Mason fazia pequenos reparos na estrutura levemente danificada do V.S.A. 
  O silêncio era reflexivo, em vista da situação em que se encontravam. O ataque que sofreram havia desencadeado profundas dúvidas e incertezas no grupo. Antes da calmaria atual, o V.S.A fora direcionado para uma rota alternativa, traçada por Carol, que os levou para uma região de cânions vulcânicos, que estavam em período fértil, portanto, expeliam lava. Todos os registros de mapas do Planeta Delta 7 estavam desatualizados, o que levantou forte suspeitas em Mason, que jurou ter feito o download da versão mais recente dos arquivos. Capitão Máximo suspeitou do General Brutus, mas não tornou isto externo. Naquela situação, eles só poderiam desviar dos jatos de lava e tentar acetar os mercenários que se escondiam num pequeno pico rochoso há alguns quilômetros dali. Graças a boa direção de Carol, o perigo foi evitado com boas doses de frenesi e adrenalina pura. Ao deixar a região dos cânions vulcânicos, Carol assumiu o controle do Canhão de Distorção que havia sido montado no capô do V.S.A e disparou um único tiro na direção do pico, que, graças a sua impecável pontaria aprendida na Academia de Oficiais de Marte, desapareceu em alguns segundos com uma distorção do espaço. O Canhão de Distorção criava uma pequena deformação no espaço-tempo, abrindo um mini-buraco negro que se consumia em segundos, devorando também toda a matéria do alvo. 
  - Os reparos na estrutura do V.S.A foram concluídos, Capitão - Mason se aproximou. O uniforme estava sujo de óleo de dirânio. Máximo o encarou sério e desligou o D.P.
  - Você conseguiu contato com a Alexandria? - Indagou, descendo do capô e fazendo um breve alongamento. Mason demonstrou-se decepcionado. 
  - Não consegui, Capitão. As nossas comunicações parecem estar sendo bloqueadas. Os sinais que enviamos se perdem antes de chegar no destino...
  - Isto é um bloqueador de ondas - Carol aproximou-se - Estão vendo aquela montanha ao norte? 
  - Sim... - Ambos olharam na direção que a mulher apontou. 
  - É uma estação de Transmissão. Estão nos bloqueando de lá - As palavras de Carol eram sucintas e objetivas. Havia uma certeza em seu falar e sua expressão carregava uma um semblante de seriedade. 
  - Qual a origem da afirmação, Carol? - Indagou Máximo, tomado pela curiosidade, ainda que sua voz não denunciasse o encantamento que sentira pela oficial. 
  - O leitor modular do canhão de distorção captou uma deformação no visor quando fui mirar nos mercenários... A única coisa que consegue cortar o sinal do leitor modular de um canhão de distorção é um bloqueador de ondas. Os Kavleks usaram esta estratégia contra os canhões dos Latonianos na Batalha de 76. Estão fazendo isto conosco. 
  - Entendo. Um disparo naquela direção iria solucionar o problema, não? - Máximo encarou a montanha ao norte e começou a mensurar a distância. Mason o acompanhou com uma ferramenta digital de seu D.P. 
  - Sim, ainda que não seja possível mirar naquela direção. Sou boa em atirar às cegas.
  - 2.975km a norte da nossa posição atual - afirmou Mason, após o término dos cálculos. Máximo suspirou. 
  - A distância máxima de um canhão de distorção é...
  - Mil e duzentos quilômetros, eu sei - Máximo interrompeu Carol e ela corou de forma leve. Ambos se encararam - Iremos nos aproximar da montanha até uma região segura e depois iremos atirar.
  - objeção, capitão! - Exclamou Carol - Acredito que seja mais seguro nos afastarmos do raio de bloqueio dos inimigos. 
  - O raio de bloqueio daquela estação cobre cerca de 25 mil quilômetros. Não temos combustível para nos afastarmos tanto assim - observou Máximo. Carol fitou o horizonte, refletindo. 
  - Bem... O raio cobre 25.000km de superfície, mas pelo que me lembro das especificações, cobre apenas 3 metros de profundidade... 
  - Excelente observação, Mason! - Máximo deu-lhe três tapinhas saudosos nas costas. Carol permaneceu séria.
  - Não há como cavar - o rosto da mulher mantinha-se impassível - O V.S.A não é capaz de fazer isto. 
  - A natureza já fez por nós - Máximo checou o D.P. Mason e Carol aguardaram inquietos - Iremos entrar por um daqueles buracos dos cânions vulcânicos. Em algum daqueles gêiseres de lava deve haver a distância que precisamos. 
  - Isto é arriscado!É loucura! - Comentou Carol. Máximo sorriu - Por isso é ótimo. Eles não vão esperar que façamos!

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01/09/2016

Detetive Casmurro #2

  A noite era fria e o céu denunciava uma possível chuva, incomum para esta época do ano. O período de chuvas de Nova Rondon ia de Janeiro a Julho, restando um clima frio e seco pelo resto do ano. As manhãs se abrem com uma leve friagem, que se dissipa até o início da tarde, iniciando uma onda de calor que varia de 30º a 36º. As noites normalmente são frescas, mas definitivamente, não é comum a presença de chuvas.
  - Você dirige - Pediu Edgar, caminhando até a porta do passageiro da viatura policial. Marconi deu meia volta e destrancou o carro e, em seguida, flexionou o pino de tranca da porta para cima. Edgar entrou - Você liga se eu fumar? 
  - Você o faria de qualquer jeito - comentou Marconi, dando partida. Edgar retirou um pequeno maço de cigarros e apanhou um deles. O carro acelerou para a avenida principal. 
 Durante os primeiros minutos da viagem, imperou-se o silêncio. Ambos, Edgar e Marconi, mantinham-se calados, internalizando seus pensamentos e estratégias numa espécie de calda poética, que apenas aumentava a atmosfera de insegurança e mistério.
  - O cigarro me ajuda a pensar - Edgar acendia seu segundo cigarro. Ele notou que era o último, e desejou ter fumado menos na delegacia. Marconi o encarou de esgueira. A fumaça tomava forma diante dos dois. 
  - Também ajuda a te matar - O sinal estava amarelo e o carro parou. Haviam outros dois carros próximos. 
  - Dava para ter ido - A fumaça do cigarro de Edgar começou a se acumular na parte interna do capô e isso tirava Marconi do sério. O silêncio retornou. 
  - Pra onde vamos, afinal?
  - Vamos para o antigo galpão da Igreja Santo Inácio.
  - Não é a hora de pedir ajuda divina, Ed! - houve um riso, seguido de um desconfortável silêncio. Edgar fitou Marconi e manteve-se impassível. Não era a hora para piadas. O sinal tornou-se verde e o carro avançou pelas ruas escuras do centro de Nova Rondon. Antes que o silêncio voltasse, Marconi ligou o rádio: Tim Maia clareava aquela noite misteriosa. 
  A viagem não fora longa. Em menos de vinte e cinco minutos os dois já estavam estacionados diante do Galpão da Igreja Santo Inácio.Era uma enorme construção ornamentada com detalhes góticos e uma escultura do santo que nomeia a igreja, desgastada por conta da chuva e coberta de musgo verde-marrom. Havia apenas uma única fonte de luz: o holofote que clareava a estátua de baixo para cima.
  - Este lugar me dá arrepios! - Marconi empurrou o velho portão enferrujado e liberou caminho. Edgar vinha logo atrás, com sua velha binga prateada em mãos. Ambos trocaram um rápido olhar e seguiram adiante. 
  - Acredito que o assassino desta mulher esteja aí dentro.. Ou pelo menos o que restou dele - Edgar parou defronte a estátua de Santo Inácio e a encarou nos olhos. Marconi estendeu o braço para tocá-la, quando foi surpreendido por um tapa de seu parceiro - Não toque nisto! 
  - É apenas uma estátua coberta de musgo! - retrucou o jovem, irritadiço. Suas bochechas tornaram-se quentes e avermelhadas. 
  - Talvez não seja musgo, Marconi. Nem tudo é como você vê... - Ele pressionou o gatilho acendedor da binga e, na segunda tentativa, uma pequena chama formou-se em suas mãos. Marconi assistiu inquieto, tentando formular em sua linha de raciocínio o que o companheiro ia fazer. Edgar aproximou a chama do musgo verde-marrom que cobria a estátua e houve uma pequena movimentação, como se o musgo fugisse do calor da chama. Houve também um pequeno grunhido, como o som de uvas sendo pisoteadas. 
  - Mas que merda é essa?! - Marconi esfregou os olhos numa tentativa de garantir que o que estava vendo era real. O outro aproximou o fogo subitamente e ambos foram surpreendidos com um pedaço do "musgo" saltando para fora da estátua. 
  - Ali! Pega! - Exclamou Edgar, tentando pisotear o estranho musgo animado. Era uma espécie de "geleia viva" que se contorcia pelo chão e emitia pequenos grunhidos pitorescos. Marconi saltou para cima daquilo e esmagou com a sola do sapato. Um último ruído foi escutado, antes de Edgar atear fogo na criatura que derreteu-se numa nuvem de enxofre. 
  - Que diabos era aquela merda?! - Marconi suave e tinha a respiração acelerada. Tudo aquilo não fazia o menor sentido e, em sua cabeça, aquela fora a coisa mais inacreditável que vira em toda vida. 
  - Tente se acalmar, guri! - pediu Edgar, fazendo sua tradicional expressão pensativa. Marconi sabia que quando o parceiro fazia aquela expressão, algo curioso e sério se aproximava. Ele deu três passos para frente e abriu a boca para falar, mas cobriu-se de um estranho silêncio no segundo seguinte. 
  - Vamos precisar de armas? - O jovem oficial ainda não tinha reorganizado sua mente. Ele não fazia ideia do que eles estavam enfrentado, aliás, nem Edgar, eram tudo especulações de sua mente experiente e farta.
  - Acredito que elas possam ser úteis para homens, não para o que vamos enfrentar. - Os olhos de Marconi saltaram o rosto. Edgar manteve-se firme - Vamos entrar neste galpão... A coisa já sabe que estamos aqui...
  - Mas que porcaria.... - Marconi acompanhou o parceiro até a entrada do galpão. Uma enorme porta de madeira adornada com símbolos católicos os aguardava. 
  - Que Santo Inácio nos ajude...
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