- Aquilo são macacos?! - Gritou Giovani. Paulo colocou o corpo ensanguentado de Zambé no chão. Nayara disparou a correr.
- Eu disse para não se mexer! - O professor Alberto mantinha-se imóvel, apesar do grito. Um dos macacos retirou uma flecha da cintura e armou no arco.
- Ele vai acertar Nayara! - Giovani saltou pelo corpo de Zambé e começou a revirar o porta luvas do jipe. Paulo encarava a todos esperando por uma ordem. Nayara gritava enquanto corria para o longe. Houve um estampido audível e a flecha inferiu os ares. Alberto acompanhou o percurso com os olhos. Fêmur de Nayara.
- Morram seus filhos da puta! - o disparo ensurdeceu os presentes. Giovani preparava o revólver para o próximo tiro. Professor Alberto apanhou a câmera presa ao pescoço e começou a fotografar. Os macacos moveram-se rapidamente pelos galhos.
- Faça alguma coisa além de ficar filmando, professor! - Rugiu Paulo. O velho nada fez senão continuar filmando. Nayara jazia ao chão, clamando de dor e agonia.
- Morram! - Foram mais três tiros. Os macacos não foram atingidos, mas o barulho os assustou. O grupo estava novamente sozinho e o medo tomava conta de todos ali.
- Isto foi incrível! - Albeto checava as fotos na câmera - consegui fotografar as criaturas!
- Socorro! Socorro! - Paulo e Giovani foram até Nayara. Havia muito sangue e a flecha estava fincada dez centímetros para dentro. Ela gritava de dor.
- Vou ter que arrancar! - Paulo rasgou um pedaço da camiseta de Giovani. Nayara implorava por socorro. Ambos suavam frio - Segure os braços dela!
- Certo! - Giovani o fez. Nayara se debatia pedindo para que não fizessem isso. e questão de segundos, a flecha estava no chão e o ferimento da garota estava enfaixado com fragmentos da camisa do amigo.
- Está tudo bem, querida? - O professor se aproximou. Giovani apontou o revolver para ele.
- Seu filho da puta, por que não fez nada?!
- Eu fiz! - Ele manteve o to impassível - registrei o fato.
- Nayara foi ferida!
- Mas não morreu. Como você acha que iríamos contar pra polícia?! Macacos com flechas?! Alguém precisava registar isto, Giovani!
- Mas... - Ele tentou falar, mas a ideia do professor o convenceu. Aquilo deveria ser documentado para servir de prova, afinal, Zambé estava morto.
- Nós precisamos sair daqui imediatamente - Paulo ajudou Nayara a se levantar. Ela tinha dificuldade para se manter em pé. O Professor assentiu e o grupo voltou para o jipe. Os insetos faziam barulhos desconhecidos e alguns pássaros enfeitavam a atmosfera de incerteza.
- Coloquem Zambé na parte de trás. Usem a lona para enrolar o corpo. Nayara, sente-se aqui - o professor estendeu a mão a garota. Ela agarrou firme e sentou no banco de trás, enquanto Paulo e Giovani enrolavam o corpo de Zambé como foi pedido.
- Acho que eles se assustaram com o barulho. Talvez a buzina do jipe nos ajude... - comentou o professor - Paulo, você dirige.
- Certo - ele terminou de repousar o corpo de Zambé e assumiu o banco do motorista.
- Que Deus nos proteja!
(...)