14/09/2016

Professor Alberto #2

- Aquilo são macacos?! - Gritou Giovani. Paulo colocou o corpo ensanguentado de Zambé no chão. Nayara disparou a correr. 
  - Eu disse para não se mexer! - O professor Alberto mantinha-se imóvel, apesar do grito. Um dos macacos retirou uma flecha da cintura e armou no arco. 
  - Ele vai acertar Nayara! - Giovani saltou pelo corpo de Zambé e começou a revirar o porta luvas do jipe. Paulo encarava a todos esperando por uma ordem. Nayara gritava enquanto corria para o longe. Houve um estampido audível e a flecha inferiu os ares. Alberto acompanhou o percurso com os olhos. Fêmur de Nayara. 
  - Morram seus filhos da puta! - o disparo ensurdeceu os presentes. Giovani preparava o revólver para o próximo tiro. Professor Alberto apanhou a câmera presa ao pescoço e começou a fotografar. Os macacos moveram-se rapidamente pelos galhos.
  - Faça alguma coisa além de ficar filmando, professor! - Rugiu Paulo. O velho nada fez senão continuar filmando. Nayara jazia ao chão, clamando de dor e agonia. 
  - Morram! - Foram mais três tiros. Os macacos não foram atingidos, mas o barulho os assustou. O grupo estava novamente sozinho e o medo tomava conta de todos ali. 
  - Isto foi incrível! - Albeto checava as fotos na câmera - consegui fotografar as criaturas!
  - Socorro! Socorro! - Paulo e Giovani foram até Nayara. Havia muito sangue e a flecha estava fincada dez centímetros para dentro. Ela gritava de dor. 
  - Vou ter que arrancar! - Paulo rasgou um pedaço da camiseta de Giovani. Nayara implorava por socorro. Ambos suavam frio - Segure os braços dela!
  - Certo! - Giovani o fez. Nayara se debatia pedindo para que não fizessem isso. e questão de segundos, a flecha estava no chão e o ferimento da garota estava enfaixado com fragmentos da camisa do amigo.
  - Está tudo bem, querida? - O professor se aproximou. Giovani apontou o revolver para ele. 
  - Seu filho da puta, por que não fez nada?! 
  - Eu fiz! - Ele manteve o to impassível - registrei o fato. 
  - Nayara foi ferida! 
  - Mas não morreu. Como você acha que iríamos contar pra polícia?! Macacos com flechas?! Alguém precisava registar isto, Giovani! 
  - Mas... - Ele tentou falar, mas a ideia do professor o convenceu. Aquilo deveria ser documentado para servir de prova, afinal, Zambé estava morto. 
  - Nós precisamos sair daqui imediatamente - Paulo ajudou Nayara a se levantar. Ela tinha dificuldade para se manter em pé. O Professor assentiu e o grupo voltou para o jipe. Os insetos faziam barulhos desconhecidos e alguns pássaros enfeitavam a atmosfera de incerteza. 
  - Coloquem Zambé na parte de trás. Usem a lona para enrolar o corpo. Nayara, sente-se aqui - o professor estendeu a mão a garota. Ela agarrou firme e sentou no banco de trás, enquanto Paulo e Giovani enrolavam o corpo de Zambé como foi pedido. 
  - Acho que eles se assustaram com o barulho. Talvez a buzina do jipe nos ajude... - comentou o professor - Paulo, você dirige. 
  - Certo - ele terminou de repousar o corpo de Zambé e assumiu o banco do motorista. 
  - Que Deus nos proteja!
(...)
  

08/09/2016

Capitão Máximo #2

  O Capitão Máximo estava sentado no capô de seu V.S.A, registrando seu Diário de Missão em seu Database de Pulso. Carol alinhava o canhão de Distorção corretamente. Mason fazia pequenos reparos na estrutura levemente danificada do V.S.A. 
  O silêncio era reflexivo, em vista da situação em que se encontravam. O ataque que sofreram havia desencadeado profundas dúvidas e incertezas no grupo. Antes da calmaria atual, o V.S.A fora direcionado para uma rota alternativa, traçada por Carol, que os levou para uma região de cânions vulcânicos, que estavam em período fértil, portanto, expeliam lava. Todos os registros de mapas do Planeta Delta 7 estavam desatualizados, o que levantou forte suspeitas em Mason, que jurou ter feito o download da versão mais recente dos arquivos. Capitão Máximo suspeitou do General Brutus, mas não tornou isto externo. Naquela situação, eles só poderiam desviar dos jatos de lava e tentar acetar os mercenários que se escondiam num pequeno pico rochoso há alguns quilômetros dali. Graças a boa direção de Carol, o perigo foi evitado com boas doses de frenesi e adrenalina pura. Ao deixar a região dos cânions vulcânicos, Carol assumiu o controle do Canhão de Distorção que havia sido montado no capô do V.S.A e disparou um único tiro na direção do pico, que, graças a sua impecável pontaria aprendida na Academia de Oficiais de Marte, desapareceu em alguns segundos com uma distorção do espaço. O Canhão de Distorção criava uma pequena deformação no espaço-tempo, abrindo um mini-buraco negro que se consumia em segundos, devorando também toda a matéria do alvo. 
  - Os reparos na estrutura do V.S.A foram concluídos, Capitão - Mason se aproximou. O uniforme estava sujo de óleo de dirânio. Máximo o encarou sério e desligou o D.P.
  - Você conseguiu contato com a Alexandria? - Indagou, descendo do capô e fazendo um breve alongamento. Mason demonstrou-se decepcionado. 
  - Não consegui, Capitão. As nossas comunicações parecem estar sendo bloqueadas. Os sinais que enviamos se perdem antes de chegar no destino...
  - Isto é um bloqueador de ondas - Carol aproximou-se - Estão vendo aquela montanha ao norte? 
  - Sim... - Ambos olharam na direção que a mulher apontou. 
  - É uma estação de Transmissão. Estão nos bloqueando de lá - As palavras de Carol eram sucintas e objetivas. Havia uma certeza em seu falar e sua expressão carregava uma um semblante de seriedade. 
  - Qual a origem da afirmação, Carol? - Indagou Máximo, tomado pela curiosidade, ainda que sua voz não denunciasse o encantamento que sentira pela oficial. 
  - O leitor modular do canhão de distorção captou uma deformação no visor quando fui mirar nos mercenários... A única coisa que consegue cortar o sinal do leitor modular de um canhão de distorção é um bloqueador de ondas. Os Kavleks usaram esta estratégia contra os canhões dos Latonianos na Batalha de 76. Estão fazendo isto conosco. 
  - Entendo. Um disparo naquela direção iria solucionar o problema, não? - Máximo encarou a montanha ao norte e começou a mensurar a distância. Mason o acompanhou com uma ferramenta digital de seu D.P. 
  - Sim, ainda que não seja possível mirar naquela direção. Sou boa em atirar às cegas.
  - 2.975km a norte da nossa posição atual - afirmou Mason, após o término dos cálculos. Máximo suspirou. 
  - A distância máxima de um canhão de distorção é...
  - Mil e duzentos quilômetros, eu sei - Máximo interrompeu Carol e ela corou de forma leve. Ambos se encararam - Iremos nos aproximar da montanha até uma região segura e depois iremos atirar.
  - objeção, capitão! - Exclamou Carol - Acredito que seja mais seguro nos afastarmos do raio de bloqueio dos inimigos. 
  - O raio de bloqueio daquela estação cobre cerca de 25 mil quilômetros. Não temos combustível para nos afastarmos tanto assim - observou Máximo. Carol fitou o horizonte, refletindo. 
  - Bem... O raio cobre 25.000km de superfície, mas pelo que me lembro das especificações, cobre apenas 3 metros de profundidade... 
  - Excelente observação, Mason! - Máximo deu-lhe três tapinhas saudosos nas costas. Carol permaneceu séria.
  - Não há como cavar - o rosto da mulher mantinha-se impassível - O V.S.A não é capaz de fazer isto. 
  - A natureza já fez por nós - Máximo checou o D.P. Mason e Carol aguardaram inquietos - Iremos entrar por um daqueles buracos dos cânions vulcânicos. Em algum daqueles gêiseres de lava deve haver a distância que precisamos. 
  - Isto é arriscado!É loucura! - Comentou Carol. Máximo sorriu - Por isso é ótimo. Eles não vão esperar que façamos!

(...)
  
  

01/09/2016

Detetive Casmurro #2

  A noite era fria e o céu denunciava uma possível chuva, incomum para esta época do ano. O período de chuvas de Nova Rondon ia de Janeiro a Julho, restando um clima frio e seco pelo resto do ano. As manhãs se abrem com uma leve friagem, que se dissipa até o início da tarde, iniciando uma onda de calor que varia de 30º a 36º. As noites normalmente são frescas, mas definitivamente, não é comum a presença de chuvas.
  - Você dirige - Pediu Edgar, caminhando até a porta do passageiro da viatura policial. Marconi deu meia volta e destrancou o carro e, em seguida, flexionou o pino de tranca da porta para cima. Edgar entrou - Você liga se eu fumar? 
  - Você o faria de qualquer jeito - comentou Marconi, dando partida. Edgar retirou um pequeno maço de cigarros e apanhou um deles. O carro acelerou para a avenida principal. 
 Durante os primeiros minutos da viagem, imperou-se o silêncio. Ambos, Edgar e Marconi, mantinham-se calados, internalizando seus pensamentos e estratégias numa espécie de calda poética, que apenas aumentava a atmosfera de insegurança e mistério.
  - O cigarro me ajuda a pensar - Edgar acendia seu segundo cigarro. Ele notou que era o último, e desejou ter fumado menos na delegacia. Marconi o encarou de esgueira. A fumaça tomava forma diante dos dois. 
  - Também ajuda a te matar - O sinal estava amarelo e o carro parou. Haviam outros dois carros próximos. 
  - Dava para ter ido - A fumaça do cigarro de Edgar começou a se acumular na parte interna do capô e isso tirava Marconi do sério. O silêncio retornou. 
  - Pra onde vamos, afinal?
  - Vamos para o antigo galpão da Igreja Santo Inácio.
  - Não é a hora de pedir ajuda divina, Ed! - houve um riso, seguido de um desconfortável silêncio. Edgar fitou Marconi e manteve-se impassível. Não era a hora para piadas. O sinal tornou-se verde e o carro avançou pelas ruas escuras do centro de Nova Rondon. Antes que o silêncio voltasse, Marconi ligou o rádio: Tim Maia clareava aquela noite misteriosa. 
  A viagem não fora longa. Em menos de vinte e cinco minutos os dois já estavam estacionados diante do Galpão da Igreja Santo Inácio.Era uma enorme construção ornamentada com detalhes góticos e uma escultura do santo que nomeia a igreja, desgastada por conta da chuva e coberta de musgo verde-marrom. Havia apenas uma única fonte de luz: o holofote que clareava a estátua de baixo para cima.
  - Este lugar me dá arrepios! - Marconi empurrou o velho portão enferrujado e liberou caminho. Edgar vinha logo atrás, com sua velha binga prateada em mãos. Ambos trocaram um rápido olhar e seguiram adiante. 
  - Acredito que o assassino desta mulher esteja aí dentro.. Ou pelo menos o que restou dele - Edgar parou defronte a estátua de Santo Inácio e a encarou nos olhos. Marconi estendeu o braço para tocá-la, quando foi surpreendido por um tapa de seu parceiro - Não toque nisto! 
  - É apenas uma estátua coberta de musgo! - retrucou o jovem, irritadiço. Suas bochechas tornaram-se quentes e avermelhadas. 
  - Talvez não seja musgo, Marconi. Nem tudo é como você vê... - Ele pressionou o gatilho acendedor da binga e, na segunda tentativa, uma pequena chama formou-se em suas mãos. Marconi assistiu inquieto, tentando formular em sua linha de raciocínio o que o companheiro ia fazer. Edgar aproximou a chama do musgo verde-marrom que cobria a estátua e houve uma pequena movimentação, como se o musgo fugisse do calor da chama. Houve também um pequeno grunhido, como o som de uvas sendo pisoteadas. 
  - Mas que merda é essa?! - Marconi esfregou os olhos numa tentativa de garantir que o que estava vendo era real. O outro aproximou o fogo subitamente e ambos foram surpreendidos com um pedaço do "musgo" saltando para fora da estátua. 
  - Ali! Pega! - Exclamou Edgar, tentando pisotear o estranho musgo animado. Era uma espécie de "geleia viva" que se contorcia pelo chão e emitia pequenos grunhidos pitorescos. Marconi saltou para cima daquilo e esmagou com a sola do sapato. Um último ruído foi escutado, antes de Edgar atear fogo na criatura que derreteu-se numa nuvem de enxofre. 
  - Que diabos era aquela merda?! - Marconi suave e tinha a respiração acelerada. Tudo aquilo não fazia o menor sentido e, em sua cabeça, aquela fora a coisa mais inacreditável que vira em toda vida. 
  - Tente se acalmar, guri! - pediu Edgar, fazendo sua tradicional expressão pensativa. Marconi sabia que quando o parceiro fazia aquela expressão, algo curioso e sério se aproximava. Ele deu três passos para frente e abriu a boca para falar, mas cobriu-se de um estranho silêncio no segundo seguinte. 
  - Vamos precisar de armas? - O jovem oficial ainda não tinha reorganizado sua mente. Ele não fazia ideia do que eles estavam enfrentado, aliás, nem Edgar, eram tudo especulações de sua mente experiente e farta.
  - Acredito que elas possam ser úteis para homens, não para o que vamos enfrentar. - Os olhos de Marconi saltaram o rosto. Edgar manteve-se firme - Vamos entrar neste galpão... A coisa já sabe que estamos aqui...
  - Mas que porcaria.... - Marconi acompanhou o parceiro até a entrada do galpão. Uma enorme porta de madeira adornada com símbolos católicos os aguardava. 
  - Que Santo Inácio nos ajude...
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30/08/2016

Vanaya e Mohaw #2

  - Duraithar! (Corra!) - rugiu Mohaw. Os soldados subordinados de Dr.Chaoster disparam contra os dois. Os projéteis eram feitos de luz alterada e tinham a capacidade de, ao tocar tecido epitelial, romper com todas as ligações atômicas do alvo em questão e transformar a matéria em energia luminosa.
  - Mohaw! - Exclamou Vanaya, escondendo-se atrás de um computador auxiliar que crescia para fora das paredes do corredor da Base de Pesquisas Genéticas. Mohaw desviava com extrema selvageria de todos os projéteis a ele inferidos e rumava na direção dos guardas. 
  - Matem o selvagem!!! - Ordenou o Dr. Chaoster, seguido de uma severa tosse pulmonar. Os guardas, apesar do medo que sentiam do inimigo, mantiveram-se firmes e atirando. Os projéteis viajavam por todo corredor, rasgando a resistência do ar e clareando todo o ambiente. 
  - THORNK AHULA! (grito de guerra do clã dos guerreiros) - Mohaw apoiou-se na parede e estendeu seu caminhar com um salto, girando no ar e agarrando um dos guardas pelo pescoço, quebrando-o. Os outros oficiais começaram a disparar de forma impulsiva na direção de Mohaw, que evitou todos os projéteis com sua eficaz habilidade de acrobata. Sem muito pensar, arremessou o corpo morto do guarda na direção de seus inimigos. Com os disparos sendo efetuados no corpo, houve uma mini explosão luminosa e tudo tornou-se claro.
  - MEUS OLHOS! - Exclamou Dr.Chaoster, protegendo os frágeis olhos com as mãos velhas e de dedos compridos. Ao término do brilho,quando a luz se dissipou, restavam apenas Mohaw, Vanaya e o doutor. Os corpos dos outros guardas enfeitavam as paredes e chão do corredor.
  - Besta assassina! - gritou o velho. Mohaw ignorou e investiu contra ele. A selvageria definiria sua expressão facial. Vanaya saiu de seu esconderijo e apanhou um dos rifles que os oficiais, agora mortos, empunhavam. 
  - Morra! - Gritou a mulher. Mohaw interrompeu a marcha e assistiu os disparou passarem por cima de seus ombros, enquanto o Dr. Chaoster explodia em matéria luminosa a sua frente. 
  - Conseguimos! - Os dois se abraçaram com um belo rodopio. A situação ainda era perigosa e os dois não tinham a mínima ideia de como sairiam vivos dali. A verdade é que eles nem sequer sabiam se ainda estavam em seu planeta natal ou pior, para que tinham sido trazidos até este lugar. 
  - Sinto uma dor estranha em meu tórax - Comentou Mohaw, sentindo algo latejar dentro de si. Vanaya aproximou-se e apalpou a e região por ele indicada.
  - É aqui? Dói se eu fizer isto? - ela apertou. O homem fez uma leve expressão de desconforto. Vanaya continuou acariciando a região.A pele tinha uma textura diferente das outras regiões do tórax, como se houvesse uma outra pele crescida no local. 
  - Parece uma cicatriz - Vanaya tocou a língua gentilmente pela pele do irmão - É pele nova. 
  - Você acha que fizeram alguma coisa comigo, irmã? - Mohaw sentia uma estranha preocupação rondar seus pensamentos. Ele tinha aversão a cirurgias ou instrumentos tecnológicos. Aquele ambiente futurista deixava-o em estado de pânico constante. 
  - Vamos voltar àquela sala! Talvez tenha algo - Sugeriu a mulher. Mohaw assentiu e eles voltaram para a sala do falecido Dr. Chaoster. 
  A sala mantinha o mesmo silêncio habitual, preenchida apenas com os bips dos computadores e máquinas desconhecidas que trabalhavam ininterruptamente.Os dois adentraram o local e pararam diante de um enorme painel holográfico com projeções de corpos masculinos.
  - É você! - Vanaya aproximou-se dos esquemas projetados e tentou tocá-los, e, para seu espanto, sua mão atravessou o corpo. Mohaw afastou-se, assustado.
  - Uraki ma! (Magia das trevas!) - Exclamou. Vanaya tateou a projeção por mais alguns segundos e nada aconteceu. Os dois não tinham a mínima ideia do que estava acontecendo e não sabiam quais seriam seus próximos passos, a incerteza  reinava sobre a mente de cada um. 
  - Nós precisamos ir embora imediatamente! - Vanaya agarrou a mão desgastada e ferida do irmão e os dois desapareceram pelo corredor da Base de Pesquisas Genéticas do General Bowie.
(...)

Professor Alberto #1

   - Eu acredito que devíamos retornar para o acampamento, Dr. Alberto. Já vai escurecer e o senhor não está em sua melhor forma... - Zambé era um homem alto, negro e tinha uma grossa voz. Fora contratado pela expedição do Professor Alberto para explorar e mapear uma área no interior da floresta Amazônica. 
   - Vamos avançar mais vinte metros, depois voltamos. Acredito que encontraremos indícios de algo no caminho - Colocou Alberto, checando os mapas em sua mão. Era um sujeito esguio e envelhecido, tinha um nariz pontudo e grande. Os cabelos eram lisos e escorriam grisalhos pela testa cansada e úmida - O que acha disto, Nayara? 
  - Vinte me parece bom - comentou a jovem historiadora e ex-aluna de Alberto. Era uma jovem sorridente e espontânea, notável por seu conhecimento avançado em história antiga e arqueologia, ainda que esta não seja sua formação inicial. 
  - Então, está certo. Mais vinte metros e só! - Comentou Zambé, avançando com o jipe da universidade. 
  O grupo de exploração do Professor Alberto era formado por cinco pessoas. Ele, como antropólogo, chefiava a expedição, seguido por Nayara. Zambé era o guia nativo da região. Havia também os irmãos Paulo e Giovani, sendo o primeiro formado em geologia (também ex-aluno do Professor Alberto) e o segundo em biologia, sendo o único que não tivera a honra de ter sido aluno do professor. 
  O jipe avançou mata adentro. O clima era deveras úmido, porém de uma secura incalculável. Os tripulantes suavam muito e eram atacados por mosquitos de tempos em tempos. A vegetação era muito estreita, bloqueando a luz do sol quase que por completo. Eram três da tarde, mas a falta de luz fazia parecer madrugada. Havia toda a sorte de espécies de besouros e insetos ainda desconhecidos, e isso fazia com que os olhos de Giovani saltassem para fora. 
  - Então, Morgan mudou o nome do grupo para Grande Ordem dos Iroqueses e,a partir dali, a antropologia evolucionista começou a tomar forma... - O Professor interrompeu o diálogo para servir-se de água em seu cantil. Nayara fazia pequenas anotações em seu inseparável bloco de anotações. A atmosfera era tranquila, apesar das condições climáticas desfavoráveis. O assunto fluía de forma prazerosa e todos faziam contribuições categóricas de acordo com suas áreas.
  - O que é aquela espécie, Giovani?! - Indagou Paulo, apontando para uma formação pontiaguda que crescia do tronco de uma árvore. Tinha detalhes vermelhos com pequenas flores na ponta. 
  - Que estranho... - Giovani apoiou-se para fora do jipe - eu nunca vi um galho com este tipo de ramificação...Parece até que foi fincado ali...Professor, dê uma olhada nisto!
  O Professor Alberto aproximou-se pelas costas de Giovani e fitou a estranha incógnita. Logo em seguida, pediu para que Zambé parece por cinco minutos. Contrariado, o guia o fez. 
  - Pegue seu extrator, Giovani. É um objeto tão formidável que deve ser levado conosco... - Comentou o Professor, recebendo auxílio de Paulo para desembarcar. 
   - Objeto? - Indagou o biólogo recém formado. Professor Alberto sorriu. 
   - Pensou ser uma planta? Aquilo sem dúvida é uma flecha! - concluiu tomado por uma contagiante euforia. Os olhos de Giovani brilharam, afetados pelo interesse de investigar o objeto. Nayara e Paulo também desceram.
  - Nós devíamos voltar... Está ficando tarde! - Advertiu Zambé, com um extremo desconforto. O grupo continuava conversando próximo da flecha
  - Ajude-me, rapazes - Pediu o professor. Os três seguraram na flecha e a puxaram para trás. Com esforço, o objeto foi arrancado do tronco. Era um galho de madeira esculpido de forma disforme,adornado com flores e pintado com extrato de frutas. 
  - Tem outra ali! - Gritou Nayara, ao fitar uma nova flecha fincada numa arvore próxima. O grupo, sem pensar duas vezes, foi até lá. 
  - É sem dúvida incrível. Eu não sabia da existência de etnias nesta região. Aliás, nem parece com as flechas dos indígenas brasileiros... - O professor analisava o objeto minuciosamente.
  - Será que descobrimos uma nova etnia? - sugeriu Nayara, imaginando seu nome em vários estudos acadêmicos. Paulo e Giovani afastaram-se para apanhar duas novas flechas.
  - Suponho que sim, querida. 
  Depois de longos minutos, o grupo se reaproximou do jipe. O silêncio foi destruído quando Nayara gritou. Alguns pássaros levantaram voo em seguida. Haviam três flechas iguais àquelas encontradas nas árvores, mas estas, estavam fincadas no peito de Zambé, que jazia morto no acento do veículo. 
  - Droga! Os índios pegaram ele! - Exclamou Paulo, dando a volta no carro e tentando socorrê-lo. Giovani o seguiu. Nayara pressionava a mão contra a boca para conter os gritos de desespero. O único que parecia manter a calma era o Professor Alberto que olhava fixamente para o topo das árvores.
  - Faz alguma coisa, professor! - pediu Giovani, coberto pelo sangue de Zambé. O Professor mantinha-se imóvel - Faz alguma coisa, caramba!
  Giovani e Paulo esforçavam-se para retirar o corpo de Zambé do banco do motorista. O guia pesava quase cem quilos e tinha um físico atlético, fruto da quantidade de exercícios que fazia todos os dias pelas matas locais.
  - NÃO SE MEXAM! - Advertiu num tom baixo, quase que num sussurro. Os demais se chocaram por alguns instantes e seguiram com os olhares para a direção que o professor apontava. Cinco chimpanzés os observavam do alto de um galho. Tinham o corpo desenhado com pinturas corporais de um extrato semelhante a tinta vermelha. O fato que surpreendeu a todos era que os animais, tidos como irracionais, estavam armados com arco e flechas, e estavam mirando no grupo. 
(...)

Capitão Máximo #1

   O Capitão Máximo havia sido designado para uma missão investigativa no Planeta Ilaunmei, ou Delta 7, como era conhecido na União dos Planetas Irmãos, U.P.I. Por se tratar de uma missão aparentemente simples, Máximo escolheu dois de seus tripulantes mais confiáveis: Carol Saturnia, a vice-capitã e chefe de segurança da nave, e Mason Plutarc,o chefe de ciências.
    - A leitura de captação de microondas indica que o sinal veio a oeste de nossa posição atual, Capitão - Mason Plutarc checava seu D.P (Database de Pulso). No aparelho, imagens de ondas de rádio piscavam na pequena tela. Carol Saturnia encarava o horizonte com uma desconfiança que transparecia pela forma como empunhava seu rifle de precisão ultravioleta. 
    - Vamos usar o V.S.A para chegar até lá.Carol, prepare-o. Mason, coordenada de rotas alternativas - Ordenou o Capitão Máximo, enquanto recostava-se nas paredes metálicas de sua cápsula auxiliar e consultava seu D.P para obter informações sobre Delta 7. Os subordinados seguiram as ordens. 
    Passaram-se cerca de trinta minutos até o V.S.A ficar pronto. Com isso, os três se dirigiram para a direção Oeste. 
    - Está tudo bem com você, Carol? - Indagou Capitão Máximo, tocando a mulher nos ombros. Ela assustou-se de leve, e baixou a guarda de seu Rifle de Precisão ultravioleta. 
    - Estou bem, Max. Apenas não sinto confiança neste sinal... Você não acha estranho? - o olhar de Carol, refletido a luz do sol vermelho de Delta 7, irradiava um brilho castanho avermelhado que hipnotizada a mente de Máximo. 
    - O que você acha estranho, Carol?
   - Você faz uma queixa contra o Almirante Brutus e uma semana depois, é enviado a uma missão do outro lado da galáxia para investigar um simples 'sinal estranho'... Isso me soa como...
  - Queima de arquivo - comentou Mason, inserindo-se na conversa. Seu olhar também era preocupado. Máximo encarou os dois, pensativo. Boatos circulavam pelos corredores da embaixada terrestre de que Brutus havia enviado oficiais em missões "suicidas".
    - Devo confirmar que também senti isso da primeira vez. Tive uma breve conversa com a Dra. Hill, mas ela disse que poderia ser coisa da minha cabeça...  - Houve um disparo. Carol reconheceria este som há milhas de distância: era um rifle de precisão ultravioleta classe Z, dois níveis acima dos que são usados pela U.P.I.
   - CUIDADO! - Ela atirou-se na direção do Capitão e os dois caíram no chão do V.S.A. Mason correu para os controles na tentativa de ativar o modo defensivo.
   - Droga! Fui atingido! - Exclamou Máximo, com uma severa perfuração no ombro esquerdo. O cheiro de carne queimada impregnava o local. Carol permanecia abaixada, mas com o rifle pronto para atirar. 
    - Droga! - Mason tateava os controles do painel, enquanto os disparos investiam contra o V.S.A, que se perdia em curvas frenéticas num cenário rochoso e desértico. Os três não conseguiam se equilibrar para tomar alguma atitude. 
   - Ativando comando de voz: Abnezer Máximo,Capitão da Nave Estelar Alexandria, servidor da U.P.I, credenciais 2709-8000! - em segundos o painel do V.S.A brilhou avermelhado e, no outro instante, o sistema defensivo do veículo havia sido ativado. Painéis de Platinium tomaram conta de sua estrutura, fazendo com que os tiros nele inferidos refletissem para longe.
    - Confirme para mim, Carol! - Começou Máximo, arrancando um pedaço de carne tostada do buraco em seu ombro; Carol o encarava - Isto é um rifle Kovak? 
    - Com toda a certeza! - Respondeu ao apanhar o fragmento do Capitão e fazer uma profunda análise no cheiro e na textura. 
    - Então isto é, definitivamente, uma queima de arquivos. Brutus contratou mercenários para nos matar! - Concluiu o Capitão, retirando uma pílula regeneradora de seu cinto auxiliar. Ele a inseriu no ferimento e logo em seguida começou a se reconstituir. 
    - Vai fechar a ferida, mas não vai sanar a dor! - Observou Mason, aflito. O oficial tremia e gaguejava ao falar. Carol focava sua atenção no Capitão, que jazia deitado sobre o chão do veículo.
     - Já é um começo. Mason, programe o V.S.A para a rota alternativa. Carol, comece os preparativos para o Canhão de Distorção. Vamos mandar esses mercenários alienígenas para o espaço.

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29/08/2016

Detetive Casmurro #1

   Edgar Casmurro acendia seu terceiro cigarro. Os pés estavam apoiados na mesa do seu escritório na rua 2, cruzamento com a principal, centro de Nova Rondon. O pequeno ventilador girava num ritmo tedioso, espantando a fumaça que era expelida por Edgar. Sobre a mesa, uma série de fotografias borradas de um suposto assassino. Ao lado delas, uma garrafa vazia de uísque. Era escocês, o último que restou da festa de seu casamento, do terceiro. Do rádio velho, Chet Baker cantava a melancolia num almost blue. 
   - A cada dia que passa, fica mais difícil aguentar os dias passando... Você vai ficando velho e começa a entender os caminhos que as coisas tomam. Não tem mais paciência pra esperar uma reação, quando você sabe qual reação será. Você vai ficando velho, e vai desvendando os mistérios da vida e descobre que no final, só quer se aposentar, colar a bunda numa poltrona mofada e assistir a final do brasileirão, sem assassinos, sem casos, sem crime...
   - Falando sozinho novamente, Ed? - Marconi adentrou o escritório. A porta rangeu como de costume e, como de costume, Edgar se irritou. 
     - Tenho de consertar esta porra... - comentou, soltando a cinza com um suave toque no corpo do cigarro. Marconi dirigiu-se para a cadeira defronte a mesa e sentou, arremessando com euforia um envelope marrom.
    - Que merda é essa?! - indagou enquanto finalizava o último gole de uísque de seu copo sem gelo. Marconi tinha um sorriso de orelha à orelha. 
     - É o dossiê que você pediu de Pedro Colón... O cara é um insano! Ele veio pra cá em 79, mas nesta época se chamava Raul Rueda... Mudou pro bairro da Boa Fé e lá montou um negócio de agiotagem. Foi lá que ele ficou amigo do Bola Oito, e os dois começaram a trabalhar juntos...
    - Pera aí, Marconi... tá dizendo que o filho da puta que está naquela cela é realmente um traficante internacional?!
    - Sim, Ed! Caramba! Por que  num para de beber esta merda e presta atenção?! - com raiva, fechou o punho sobre a mesa. Edgar o encarou, sério. Aquilo durou longos segundos. Ed estava pensando.
    - Tá certo... Nós entramos em outra jurisdição... Passa o caso pro Abelardo, ele que cuida disto....
   - Mas e o assassinato?! - a expressão de alegria desapareceu dos rostos do jovem oficial. Edgar continuava namorando seu cigarro. 
    - O assassinato não foi feito por ele, mesmo que ele seja o principal suspeito. Sabemos que foi um crime passional... Se eles tivessem mesmo um caso, ele não deixaria a mulher cheirar... 
  - Ele a viciou porque saberia que seria uma forma de ficarem próximos..
  - Ela já era viciada, a mulher tinha grana. De fato, ela comprava deste cara, mas não foi ele que a matou. 
  - Então, quem foi? - A incerteza pairava sobre a mente de Marconi. Todo o seu esforço, empenho e raciocínio haviam sido jogados fora. As horas vasculhando os arquivos da polícia e do registro de estrangeiros foram simplesmente desconsiderados. A noite carregava um mistério interior. Aquela sem dúvida, não seria uma noite comum. Ed sabia disto, por isto estava bebendo. Ele queria coragem.
  - Foi bem pior do que você imagina. Tô com umas ideias... Pegue as coisas, vamos dar uma volta...
   Edgar Casmurro deu sua última tragada e arremessou o cigarro pela janela, enquanto assistiu-o rodopiar até cair no chão. Em pé, apanhou o casaco e saiu da sala. Marconi respirou fundo e conteve-se. Apanhou as chaves sobre a mesa e desapareceu pela porta do escritório, seguindo o rastro de Edgar.
(...)

Vanaya e Mohaw #1

   A densa névoa artificial cobria todo o interior da pequena sala de cirurgia da Base de Pesquisas Genéticas do General Bowie. Composta de micromoléculas sintetizadas à base de antibióticos, a névoa era capaz de esterilizar todos os instrumentos e objetos da sala, mantendo sempre uma atmosfera "pura". 
   - Mohaw! Mohaw! Acorde! - gritou Vanaya, ao despertar de seu sono induzido. A mulher de olhos negros notou que estava presa, pulso e calcanhar, a uma maca de cirurgia. Respirava com dificuldade,devido a pureza daquele ar. 
   Vanaya era uma das últimas amazonas do clã Twiyla. Uma mulher alta e esguia, com belos cabelos escuros e uma pele avermelhada como barro fresco. Carregava abaixo dos olhos, as marcas de seu clã: Duas faixas na cor roxa, símbolo da esperança. A verdade é que com o avanço das armas e  da dominação de General Bowie sobre a manipulação genética, muitas batalhas foram travadas e a maioria dos Twiines morreram em confrontos sanguinários. 
   - Resistir é inútil, Vanaya! A última dos Twiyla! - uma voz ecoara por toda a silenciosa sala. Um calafrio irrompeu a espinha de Vanaya, que disparou a percorrer toda a sala com os olhos para descobrir de onde vinha aquela voz. Um homem pálido se aproximou.
   - Quem é você, estranho?! - os olhos dos dois se encontraram. Os negros olhos de Vanaya eram desafiados pelos olhos brancos e sem vida do Doutor Chaoster.
   - Eu sou aquele que - o velho tossiu ferozmente - projetou a Gênesis. O responsável por todo o sucesso de General Bowie! 
   - Você é o assassino de meu povo! - gritou Vanaya, mostrando os dentes pontiagudos. Mohaw jazia deitado numa outra maca, sem nenhum sinal de vida. O velho aproximou-se da mulher presa a maca. 
   - Teu corpo é tão bonito, apesar de ser catalogada como uma raça primitiva... - os velhos olhos esbranquiçados percorriam as curvas de Vanaya. As pernas de cor marrom avermelhado eram docemente suaves, como se a própria pele tivesse uma leveza própria, atraindo os olhos de qualquer um. A roupa que tampava seu sexo era apenas um avental clínico de cor amarelada, mas não era suficiente para tampar as curvas sensuais da Twiyla presa à maca. Os seios arredondados tinham o formato ideal para serem apalpados por uma mão aberta. O olhar da mulher era de pânico.
   - Não toque em mim! - exclamou, numa tentativa falha de evitar o toque de Dr.Chaoster. Os olhos do velho reviraram as órbitas.
    - Tenho planos específicos para você, Vanaya... - Houve um forte estampido. Por uns segundos, apenas os bips dos computadores foram ouvidos.
   - Donatk Udaui Korpak! (Velho nojento) - O sangue escorria pela teste velha e desgastada do doutor moribundo que despencava a frente de Mohaw.
   - Você me salvou, Mohaw!- Agradeceu Vanaya, com um sorriso que fez marejar os olhos. A expressão do irmão era de desconforto. Os polegares de sua mão haviam sido deslocados para que ele pudesse deslizar sua mão pelas algemas.
   - Eu estou bem, Vanaya! Precisamos sair daqui o mais rápido possível! - Mohaw vasculhava o corpo sem vida do Dr. Chaoster. A insegurança rodeava as ações dele. Vanaya aguardava deitada sobre a maca.
   - Ele machucou você? - indagou o homem, após terem saído da sala. Os dois caminhavam sorrateiros pelo extenso corredor das instalações.
   - Ele tentou, mas não conseguiu. É necessário ser mais do que um homem para ferir a herdeira legítima dos Twiine - a voz aveludada e valente soou como um incentivo para os dois. Mohaw tomou-a pelo braço e os dois trocaram um longo olhar, antes dos lábios se tocarem num beijo quente.
   - Ali! São eles! - Exclamou a voz caricata de Dr. Chaoster, rodeado por Soldados armados.

(...)